quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Um Território Chamado África - Mostra de filmes no Centro Cultural da UFMG

O filme Ajangbila 1, produzido na Nigéria, dá sequência hoje à mostra "Um território chamado África", realizada pelo Instituto de Inovação Social e Diversidade Cultural (Insod) no Cinecentro UFMG, instalado no Centro Cultural. A mostra é parte do Festival da Diversidade Cultural (OMI). As exibições acontecem às 19h das terças e quintas-feiras, até o dia 28, com entrada gratuita. O Centro Cultural UFMG, fica na avenida Santos Dumont, 174.

Sob a curadoria de Ayòbámi Akínrúlí e Luana Campos, a mostra de cinema africano traz filmes inéditos no Brasil, traduzidos do inglês e do idioma yorùbá para o português, e que privilegiam a temática da diversidade cultural.

O foco das narrativas cinematográficas são as contradições entre a tradição e a modernidade; o rural e o urbano; o espiritual e o mundano; a periferia e o centro; o local e o nacional. As obras pretendem propiciar ao público experiências de interpretação do vasto território da África e suas heranças para o povo brasileiro.

O cinema da Nigéria tem crescido nos últimos anos e, embora tenha um modelo diferente das estruturas mercadológicas ocidentais, teve grande aceitação mundial por suas características peculiares. Nollywood (Nigéria) é a terceira maior indústria cinematográfica do mundo, ficando atrás apenas de Hollywood (EUA) e Bollywood (Índia).

Veja aqui o livreto digital com a programação
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Fonte: CBNFoz

Postado por Oubí Inaê Kibuko para Fórum África e Cineclube Afro Sembene.

Os Crespos estreiam “Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem asas”, na Funarte


Os fundadores da Cia Os Crespos, Lucélia Sergio e Sidney Santiago Kuanza estréiam como diretores. As personagens das atrizes Maria Dirce Couto, Nádia Bittencourt, Dirce Thomaz, Darília Lilbé, Dani Rocha e Dani Nega foram criadas com base em depoimentos de pessoas reais.

Em cena, as vidas de seis mulheres negras são flagradas em seus respectivos cotidianos em um prédio de apartamentos. Elas não dialogam, tampouco se conhecem. Mas as questões que saltam em seus depoimentos são comuns entre si: afetividade, família, casamento, sexo, solidão, beleza e igualdade. Discursos privados levados a público. “ENGRAVIDEI, PARI CAVALOS E APRENDI A VOAR SEM ASAS” é o mais novo espetáculo de Os Crespos, coletivo de teatro de São Paulo. O espetáculo estreia dia 20 de novembro de 2013, dia da Consciência Negra, na Funarte (Alameda Nothman 1058, Campos Elíseos). A obra integra o projeto Dos Desmanches aos sonhos: Poéticas em legítima defesa e tem o apoio do Programa de Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo.

Considerando questões como relações com o corpo, traumas psicológicos, violência masculina, sexo, sobrevivência e aferição social, o espetáculo é baseado em depoimentos e experiências reais de 55 mulheres negras entrevistadas em 2013 pelo Coletivo. Os depoimentos foram dados por mulheres de diversas camadas sociais e profissões: integrantes do sistema prisional, donas de casa, sambistas, religiosas de matrizes africanas, empresárias, líderes comunitárias, prostitutas, entre outras. “Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem asas” propõe dar voz e rever os estereótipos sobre a mulher negra, construindo uma nova relação de alteridade e valorização. Cada uma das seis personagens do espetáculo capta pelo menos cinco das histórias contadas pelas entrevistadas; na tentativa de mostrar a multiplicidade que as envolve. “Procuramos expor as personalidades das mulheres nos diversos elementos que envolvem o espetáculo, não só nas próprias personagens, mas na trilha sonora, figurino, cenografia, vídeos e até na vibração das cores”, explica Lucelia Sergio, diretora da peça, que traz Sidney Santiago Kuanza na co-direção e Eneida de Souza na direção de produção.

A cenografia, assinada pela diretora de arte Mayara Mascarenhas, envolve tanto espaços públicos, como um salão de beleza e um bar, quanto ambientes privados: um prédio de apartamentos onde as personagens revelam suas verdades ao público. A intenção é  proporcionar a sensação de entrar na casa delas e partilhar de suas experiências, de suas visões de vida. A trilha sonora criada pela DJ Dani Nega, com composições de Miriam Bezerra, retrata a vida de cada uma das personagens. Uma forma de ressaltar a psique de cada uma. Trata-se de uma forma de Os Crespos valorizar cada linguagem inserida no espetáculo de uma forma única. Dentro deste conceito, a diretora de vídeo Renata Martins pontua trechos das entrevistas concebidas na projeção de imagens. A essência dessas mulheres, portanto, está presente na palavra, na imagem e inclusive nos figurinos.

Guerreiras, cheias de força, porém, solitárias, as personagens trazem questionamentos do porque desta solidão e os estigmas que fazem a maior parte das mulheres negras sofrerem com os estereótipos. Questionam porque o amor, para elas, é algo quase inatingível. “Desde cedo elas precisam crescer, serem fortes e entender coisas que não deveriam se preocupar enquanto crianças”, aponta a diretora Lucélia Sérgio. As personagens abordam também a importância da beleza, da liberdade sexual e o quanto o corpo da mulher negra é controlado por um sistema injusto.

Pesquisa do grupo expõe temas sensíveis
As entrevistas revelaram que a própria afetividade não é importante na vida de muitas dessas mulheres: a prioridade vira a sobrevivência e a felicidade dos filhos, suprimindo sua própria existência. Um outro fato, este alarmante, traz à tona que mais da metade das entrevistadas foram estupradas por um pai, irmão ou tio, na infância e na adolescência, muitas vezes, com o consentimento da mãe, que se absteve. “O espetáculo é sensível às questões femininas negras, discute coisas que não são faladas socialmente, como a saúde da mulher, questões de como elas são tratadas pelo sistema público e a resiliência dessas mulheres. Ela ganha menos, trabalha mais, tem os piores empregos e é responsável pela família e , além de tudo, dificilmente tem um companheiro, fato que impacta e muito sua vida”, explica Lucélia Sergio.

Já o co-diretor Sidney Santiago Kuanza, explica que foi transformador fazer parte do projeto, que está na pauta dos Crespos há dois anos. “Foi uma oportunidade de vivenciar, ouvir e tentar modificar em mim ações machistas intrínsecas em meu corpo. È a história de um corpo feminino que precisa deixar de ser aprisionado, ou  seja é o corpo das nossas mães, das nossas filhas, presos por um sistema punitivo. O espetáculo vem para trazer luz a coisas importantes e não ditas, como um padrão de beleza que não reflete e a  realidade física e biológica da mulher negra”, define Kuanza.

Ficha Técnica
Realização: Os Crespos Elenco: Dani Rocha, Darília Lilbé, Dirce Thomaz, Maria Dirce Couto, Nádia Bittencourt e Dani Nega Direção: Lucelia Sergio Co-direção: Sidney Santiago Kuanza Dramaturgia: Cidinha da Silva Trilha Sonora: DJ Dani Nega Músicas Compostas: Miriam Bezerra Direção de arte, cenários e figurinos: Mayara Mascarenhas Iluminação: Ricardo Silva Orientação teórica: Flavia Rios Preparação vocal  e canto: Silvia Maria Preparação corporal: Luciane Ramos Fotografia: Roniel Felipe e Ana Paula Conceição Designer Gráfico:Rodrigo Kenam Direção de vídeo:  Renata Martins Direção de produção: Eneida de Souza Assistente de produção: Guilherme Funari Assessoria de Imprensa: 7 Fronteiras Comunicação

Serviço
Espetáculo: “Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem asas”
Local: Funarte - Alameda Nothman 1058,Campos Elíseos  – Sala Arquimedes Ribeiro - 60 lugares
Estreia: 20 de novembro, quarta-feira, às 21h
Temporada: de 20/11 a 19/12
Dias: quartas e quintas às 21h
Apresentações especiais: 21 de dezembro, sábado, às 20h e 22 de dezembro, domingo às 19h
Preço: R$ 15,00 (R$ 7,50 meia)
Recomendação Etária: 14 anos
Duração: 80 minutos

FUNDAÇÃO CULTURAL PALMARES/MinC
Representação Regional São Paulo-SP
Telefone: (11) 2766-4320 / 2766-4322
Alameda Nothmann, 1058 - Campos Elíseos
CEP 01216-001    São Paulo/SP

Postado por Oubí Inaê Kibuko para Fórum África e Cineclube Afro Sembene.

domingo, 27 de outubro de 2013

Cineclube Afro Sembene faz sessões no Sindicato dos Jornalistas dia 16 de novembro


A exibição do longa O Último Voo do Flamingo, de João Ribeiro (Moçambique), marca a volta à atividade do Cineclube Afro Sembene, em sessão que incluirá também o curta-metragem brasileiro  Aquém das Nuvens, de Renata Martins. O retorno será dia 16/11/2013, a partir de 19h, no Sindicato dos Jornalistas no Estado de São Paulo, Rua Rêgo Freitas, 530 - Sobreloja, Vila Buarque, Metrô República. A entrada é franca. 

Após uma pausa forçada por falta de espaço apropriado, o projeto Cineclube Afro Sembene retorna à atividade, como resultado de uma parceria com a Cojira (Comissão de Jornalistas Pela Igualdade Racial de São Paulo).“A proposta agora é realizar sessões em dose dupla, ou seja: um filme do continente africano e um filme de um(a) diretor(a) afro-brasileiro(s), como acontece em shows internacionais que são abertos por bandas ou artistas nacionais. Tem também um apelo retrô, em referência e homenagem aos cinemas populares, os quais até a década de 1990 exibiam dois filmes como forma de atrair, formar e fidelizar o público”, explica Oubí Inaê Kibuko, um dos coordenadores e curadores do Cineclube Afro Sembene. 

As sessões acontecem no 3º sábado do mês, sendo a exibição do filme seguida de debate com membros da equipe realizadora ou com a participação de um comentarista convidado, acompanhado por um chá de confraternização e outras práticas da cultura africana.

Sobre o projeto
O Cineclube Afro Sembene é uma iniciativa do  Fórum África,  entidade sem fins lucrativos, de caráter social, cultural e recreativo, que reúne africanos, brasileiros e todas as pessoas interessadas em difundir informações que  melhorem o  conhecimento sobre a África no Brasil. O nome Sembene é uma homenagem ao escritor, produtor e diretor senegalês Ousmane Sembène (1923 — 2007), frequentemente chamado de "O Pai do Cinema Africano". A programação prioriza filmes legendados em português ou originários de países africanos onde o português é a língua oficial. Coordenação: Vanderli Salatiel, Saddo Ag Almouloud e Oubí Inaê Kibuko.

Sinopses dos filmes:
 

O Último Voo do Flamingo. Logo após o fim da guerra civil em Moçambique, estranhas explosões fazem desaparecer cinco soldados das forças de paz das Nações Unidas. Deles sobraram apenas os capacetes e os pênis. Estes estranhos acontecimentos provocam uma série de fantásticas explicações, que originam uma investigação a ser conduzida pelo major Massimo Risi (Carlo D'Ursi). Ele precisa da ajuda  do tradutor Joaquim (Eliote Alex), que rapidamente lhe ensina que na vida não se pode compreender tudo. Filme baseado na obra homônima de Mia Couto.
Direção: João Ribeiro.
Elenco: Carlo D'Ursi, Eliote Alex, Alberto Magassela e Adriana Alves. 
Gênero: Suspense.
Nacionalidade França , Brasil , Moçambique , Portugal - 2011, 90 minutos, DVD, acervo particular.

Aquém das nuvens. Nenê é casado com Geralda há 30 anos. Em uma tarde de domingo, como de costume, ele vai à roda de samba encontrar os amigos, mas sente que alguma coisa não está bem e volta pra casa. Quando chega, se surpreende com uma notícia trazida pelos vizinhos. Sem deixar que o ritmo do samba caia, Nenê encontra uma solução para ficar ao lado de sua eterna namorada.
Direção e Roteiro: Renata Martins.
Elenco: Mestre André e Cleide Queiroz
Gênero: Romance/Musical
Nacionalidade: Brasil, 2012, 17 min., HD/DVD, acervo particular.

Realização: Fórum África
Parceria COJIRA-SP e SJSP
Apoio: PUC-Consolação, Casa das Áfricas, Cabeças Falantes
 

Informações:  
Cineclube Afro Sembene
Fórum África-Brasil

Serviço:
Cineclube Afro Sembene
O Último Voo do Flamingo, de João Ribeiro (Moçambique)
Aquém das Nuvens), curta-metragem de Renata Martins (Brasil
Data: 16/11/2013 - sábado
Horário: 19h
Local: Sindicato dos Jornalistas no Estado de São Paulo.
Endereço: Rua Rego Freitas, 530 - Sobreloja, Vila Buarque, São Paulo/SP
Entrada franca.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Fórum África promove Semana da África 2013

Em comemoração a data, o Fórum África, associação sem fins lucrativos, em parceria com a Casa das Áfricas, realizará uma sessão solene no dia 24/5/2013 na Câmara Municipal de São Paulo, seguida de exibições de filmes africanos, em dias posteriores. Confira a programação no flyer. Compareça e compartilhe.
 
Histórico
 
Em 25 de Maio de 1963, 32 chefes de estados africanos reuniram-se em Adis Abeba, Etiópia, contra a subordinação que o continente africano sofria há séculos. Nessa reunião os líderes criaram a Organização da Unidade Africana (OUA) que hoje é conhecida como União Africana.
A ONU – Organização das Nações Unidas, vendo a importância desse encontro, instituiu em 1972 o dia 25 de Maio como Dia da Libertação de África. A data agora comemorada como o Dia de África, serve para manter vivos os ideais que levaram à criação da OUA e simboliza a luta e combate dos povos do continente africano pela sua independência e emancipação. Fonte: Cultura Viva



quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Balé Folclórico da Bahia no Teatro Sergio Cardoso

Prezados, 

Trago uma  oportunidade para quem ainda não assistiu o  MARAVILHOSO BALÉ FOLCLÓRICO DA BAHIA - Show Herança Sagrada - ainda dá tempo!

Após ser aplaudido nos Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, Europa e Caribe, o espetáculo “Herança Sagrada – A Corte de Oxalá” chega repaginado aos palcos brasileiros com 26 bailarinos, músicos e cantores, com movimentos vibrantes e sonoridade arrebatadora. Inspirado em rituais do Candomblé, o espetáculo circulou recentemente por 30 cidades americanas, em uma temporada de três meses, e foi visto por mais de 100 mil pessoas.

ÚLTIMO FINAL DE  SEMANA: De  07,08 e 09  de dezembro
SEXTAS 21h30, SAB. 21hs  e DOM. 19hs
Teatro Sergio Cardoso - Rua Rui Barbosa, 153 - Bela Vista - SP

Para os membros desta lista o preço será de  meia entrada - R$ 20,00. Envie  a data escolhida e  nome completo para zuzu.zu@hotmail.com . Após a confirmação por email seu nome constará em uma lista na bilheteria do teatro, concedendo o desconto. Se o vídeo abaixo não funcionar em seu navegador clique aqui e conheça mais sobre esta competente Cia de Balé.



Abraços, Zuleide.



Postado por Oubí Inaê Kibuko para Cineclube Afro Sembene e Fórum África.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Thereza Santos é homenageada com Prêmio Espelho D'Água Para Quem Faz a Diferença

Memorial Lélia Gonzales convida


A honraria será entregue à Thereza Santos, ainda neste ano de 2012, em data a ser marcada. Um grupo de militantes já está anotado para a confraternização com a malunga Thereza Santos.Para se juntar ao grupo, entre em contato pelo e-mail do Memorial Lélia Gonzalez.

leliagonzalez@leliagonzalez.org.br  ou podermulher@gmail.com

Clique aqui e saiba mais.


Postado por Oubí Inaê Kibuko para Cineclube Afro Sembene e Fórum África.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Mostra Olhos Negros IV - 2012

(Sexta edição da Quinzena da Consciência Negra no Instituto Cultural Cinema Brasil)
 
Tema Central: “Adolescentes negros construindo o Futuro”
 
A primeira quinzena da Consciência Negra do Ponto de Cultura Cinema Brasil ocorreu em novembro de 2007, com a presença de Léa Garcia e de filmes como Filhas do Vento, de Joel Zito Araújo. Em 2009 rebatizou-se como Mostra Olhos Negros.
 
A Mostra Olhos Negros III de novembro de 2011 contou com mesas de debate consistentes com participação do Mestre e Babalawo Ivanir dos Santos, do Músico e Dramaturgo Spirito Santo, do Escritor e Crítico de Cinema João Carlos Rodrigues (autor do livro “O Negro no Cinema Brasileiro”), dos cineastas Wavá de Carvalho, Carlos Maia, Clementino Júnior (que participou com filmes, da curadoria e ministrou 2 workshops temáticos). Exibiu filmes como Bróder, do cineasta negro Jefferson De, como Besouro, do cineasta branco João Daniel Tikhomiroff, foram exibidos em Full-HD, 4000 lumens, som Dolby 5.1, tela grande e ar refrigerado. Na Mostra Olhos Negros IV em 2012, estão sendo trazidos mais filmes faróis para o campo da reflexão. Veja Programação no final.
 
Além de valorizar o debate após as exibições, e de exibir de forma eclética os bons filmes sobre a temática negra de quaisquer diretores, independentemente de sua cor de pele, em 2012, há tanto filmes que tiveram espaço nos cinemas comerciais quanto filmes que foram feitos por cineastas jovens nas comunidades.
 
Autores negros geraram ótimas obras audiovisuais, como O Triste Fim de Policarpo Quaresma, escrita por Lima Barreto. Autores brancos geraram ótimas obras audiovisuais como Xica da Silva e Ganga Zumba (além de Carlota Joaquina), todos escritas por João Felício dos Santos. Frantz Fanon, um dos maiores pensadores do posicionamento dos negros frente aos brancos e vice-versa disse em seu livro “Pele Negra: Máscaras Brancas”: “esta obra é um estudo clínico. Acredito que aqueles que com ela se identificarem terão dado um passo à frente. Quero sinceramente levar meu irmão negro ou branco a sacudir energicamente o lamentável uniforme tecido durante séculos de incompreensão”. Fanon falou isso na década de 1960 quando Lula era um adolescente aqui no Brasil, e Barack Obama, um guri no Havaí. Mas parece que poucos professores e pais leram os livros de Fanon, e mesmo com uma Lei Federal obrigando a inclusão da cultura afrobrasileira no currículo escolar, pouco tem sido feito neste sentido.
 
O que aprendemos na Escola sobre os reis do Congo, as rainhas da Nigéria? O que nossos jovens de hoje em dia sabem da realeza e dos costumes da África? Da cultura Bantu e de tantas outras que influenciaram a nossa? Inclusive das culturas que influenciaram a cultura africana, lá, através dos vários séculos de invasões e colonizações que tentaram sufocar costumes e religiosidades tradicionais?
 
É nesta missão que a MOSTRA OLHOS NEGROS se inseriu. Assim como tem percebido que também há os que cometem equívocos, seja pelo racismo ou pelo auto-racismo de autores tanto como o branco e eugenista Monteiro Lobato, quanto o negro que não se aceitava negro, Machado de Assis. O debate ocorre após a exibição do filme que provoque a reflexão sobre determinado tema.
 
Como nas demais edições, o Ponto de Cultura Cinema Brasil está oferecendo Apresentações Artísticas antes das sessões de abertura e encerramento e no dia de Zumbi.
 
Para encerrar, um pouco mais do Frantz Fanon: “Impossível ir ao cinema sem me encontrar. Espero por mim. No intervalo, antes do filme, espero por mim. Aqueles que estão diante de mim me olham, me espionam, me esperam [...] Ontem, abrindo os olhos ao mundo, vi o céu se contorcer de lado a lado. Quis me levantar, mas um silêncio sem vísceras atirou sobre mim suas asas paralisadas. Irresponsável, a cavalo entre o Nada e o Infinito, comecei a chorar”. Salve o negro Fanon. Salve João Cândido, líder negro da Revolta que pôs fim à Chibata na Marinha Brasileira. Salve a luta ainda atual, constante e incansável dos irmãos brancos e negros, pela construção de um futuro de igualdade racial e compreensão.
 
Clique aqui para saber mais e conferir a programação completa.




Postado por Oubí Inaê Kibuko para Cineclube Afro Sembene e Fórum África.